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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Segunda

Sim, segunda e nada que fazer no trabalho!
Vou explicar um pouco, não é que não tenha nada que fazer. Tem e de fato o faço, para alguma coisa sou paga. Mas é um trabalho simples, que qualquer um faria rapidamente... Às vezes tento demorar para não ficar sem nada que fazer...
Claro que isso não me deixa nada feliz! Estou procurando outro trabalho quase que permanentemente, mas parece que estou sendo demasiado bem paga para minha função... e pensar que o dinheiro mal me alcança para o aluguel, meus livros e o mercado todos os meses!! Comecei uma pós e estou tentando mudar de setor... o que mata é o “enquanto”: Enquanto isso, continuo agüentando meu trabalho...
Para piorar minha situação tenho um chefe, Roberto, que odeio e que está decidido a fazer minha vida impossível. Ele é diretor da empresa e quando cheguei no Brasil quase que tinha me adotado como filha (muito a meu pesar), provavelmente a pedido do Seu Julio. Ao começo me levava para comer com ele e a esposa, a dondoca Silvia, todo final de semana. Íamos a restaurantes caros e festas de seus amigões ricaços... Tudo muito legal se não fossem todos casados e maiores de 50!! Após um tempo comecei a passar dos convites deles.
Acho que por isso agora me odeia e esta decidido a me torturar dia a dia: Faz que fique até mais tarde, me faz vir sábados ou manda a esposa a ligar para mim e me tem horas no telefone falando do salão, da empregada, da babá e como o mundo seria melhor se todos fossem como ela...
Se pelo menos minha vida pessoal fosse uma maravilha.... Mas não. Acumulo uma longa lista de fracassos amorosos, amizades que não deram certo e quilos demais.
Voltar na mina terra: Sei lá, já cantava Sabina: “Não tem nostalgia pior que ansiar o que nunca jamais existiu”.
Se pelo menos soubesse que caminho da vida seguir... Mas não, não tenho caminhos
Ah! Maldita depressão das segundas!!!!



segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Como cheguei até aqui – Parte 2

Dois dias depois Eva me convenceu para acompanhá-la falar com o pai da Vanina, já que eu “era mais seria e as pessoas me respeitavam”.
O pai da Vanina era engenheiro. Gostei dele na hora! Era super profissional e até deu para treinar meu português (tinha 3 anos estudando português naquela época). Assim que Vanina chegou Eva se afastou para falar com ela e eu fiquei conversando com Seu Julio. Assim que Eva saiu Seu Julio me deixou bem em claro que Eva não tinha chance na empresa dele, mas, que ele estava precisando de uma contadora de confiança se eu tinha interesse.


Na minha mente ascenderam-se todos os sinais de alerta. Eu? Trabalhar em Brasil? Sozinha? Deixar tudo? Foi medo, adrenalina, vontades de disser que sim na hora, mas, sempre eu, falei que iria a pensar.


Sai da sala de Seu Julio e fui para o quarto da Vanina, onde a empregada me falou que estavam, assim que estava me aproximando ouvi meu nome e decidi ouvir a conversa que mudaria minha vida para sempre:
- Você parece a Lilita de tão chata!! É uma aventura!
- Eu a Lilita! Kakaka Eu pelo menos acho legal a idéia, já ela deve achar o mais assustador do mundo! Deixar seu mundo certinho e se aventurar na vida!!
- Imagina ela no Brasil? Com medo da praia, medo do sol, medo da gente... kakakaka
- kakakaka


Um mês depois estava eu rumo a Salvador de Bahia, com uma amiga menos, morrendo de medo, mas feliz por ter, pela primeira vez na vida, arriscado tudo.